sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Solos - Cultivo Mínimo

Aração x Gradagem x Escarificação x Subsolagem

Aração

 A aracão é a tecnica de revolucionar a camada superficial do solo, que é aquela explorada pelas raízes, com a função de desfazer possíveis placas de compactação, e isso eventualmente deixa torrões (agregados) soltos, o que atarapalha o brotamento de sementes, crescimento de raízes, saída das plantulas do solo, e etc. Isso é feito com algum implemento puxado por algum meio de tração.


Gradagem

A gradagem é a tecnica de quebrar os torrões deixados pela aração através de implementos puxados por algum meio de tração, e torna mais homogênea a camada de solo exposta para a atmosfera, resolvendo todos os problemas citados anteriormente. Também é utilizada para incorporar substâncias no solo, como adubos, cinzas, restos vegetais, e etc.

Grade dentada: Existem outro tipo de grade, a grade de disco, e é preferia em caso de incorporação de resínduos no solo, como adubos verdes, ou daninhas.

Escarificação

O escarificador tem a mesma função do arado, mas ao invés de quebrar e girar a "placa" de solo de ponta cabeça, faz um caminho contínuo na profundidade de ação do sulco, dessa forma cada sulco atua como uma faca, "dividindo" essa placa varias vezes, cortando o solo. Muito adequado para solos "pesados" difíceis de revolucionar (muito argilosos, às vezes sem poro algum, com estrutura maciça).


Subsolagem

Processo de escarificação ou aração em profundidades do subsolo, pouco explorado pelas raízes, mas que se não compactado permite maiores ganhos agrícolas. Têm acima de 40 cm de ação, e mais comumente utilizado com tração de máquinas, mas existe possibilidade de tração animal.

Aplicação

Como descompactar?

Bom, se o solo, através do teste do post anterior, for confirmado compactado, atitudes precisam ser tomadas: Realizar a subsolagem se necessário, e se não for necessário, realizar a escarificação ou aração convencionais, nas camadas superficiais do solo. Em seguida usar a grade, após aplicação de insumos, como adubos fosfatados, ou adubos orgânicos, já que a grade ajuda a incorporar esse material no solo. Tudo isso, claro, se a camada superficial do solo estiver mesmo compactada.

Até aí nada muito difícil, mas o real problema seria, na verdade, obter esses implementos: existem alguns muito bons e muito funcionais, inclusive para tração animal, no mercado, mas costumam ser muito caros. Por outro lado duram bastante, e existe a possibilidade da construção de arados e grades artesanais. De qualquer forma, além do equipamento, animais como equinos e/ou gado bonivo seriam necessários e faria muito bem o serviço.

O resto é instintivo: deve-se ter em mente que toda a área a ser plantada deve sofrer os mesmos processos.

Exemplo de implemento misto: Arado e Grade no mesmo equipamento

Pós-aração e pós-gradagem

E depois? Enleiramento e Semeadura

Semeadora com Sulcador no mesmo equipamento

Bom, a curto prazo duas coisas devem ser feitas: O enleiramento e o preparo das covas/sulcos. O enleiramento é nada mais que amontoar o solo exposto em uma linha mais alta que o nivel do chão, para melhorar drenagem, evitando acúmulo de água na base do caule, ou ainda aumentar o volume de solo explorado, dentre outros. Também é feito com um equipamento, um enleirador, que pode ser confundido com o enleirador de palha utilizado na produção de feno. Em seguida o sulcador entra em ação para fazer uma linha mais profunda no meio da leira, para receber as sementes. Geralmente os sulcadores já são acoplados às semeadoras, assim quase sempre não há como não fazer os sulcos antes de plantar. A ação das rodas passando ao lado do sulco já semeado garante a cobertura das sementes.

Caso o solo não esteja anteriormente compactado, esses passos podem ser imediatamente tomados sem precisar do tratamento convencional já citado (melhor reafirmar, vai que não entenderam). Obviamente esses passos devem ser feitos após TODO o tratamento químico do solo ser feito, e obedecendo os tempos de carência das substâncias (Exemplo: adubo orgânico e farinha de osso devem ser colocados no solo e só após algum tempo já dito as cinzas devem ser colocadas, e isso requer gradagem, e só após alguns dias deve-se plantar).



Enleirador

Cultivo Mínimo

A longo prazo, você deve ter em mente que NUNCA mais precisará fazer tudo isso, mas deverá apenas evitar com que a compactação reaconteça, uma vez que as colheitas, semeaduras e adubações,e etc, tendem a compactar o solo novamente, daí a importância de fazer rotação de culturas com alguma espécie capaz de produzir raízes profundas (feijão-guandu, por exemplo).

Palhada mantida sobre o solo o protege de vários problemas


Essas praticas (rotação de cultura + pouco distúrbio no solo) se encaixam no conceito de cultivo mínimo e até mesmo de plantio direto, que se mostram mais produtivos e são menos trabalhosos de fazer: a idéia é desequilibrar o solo o mínimo possível, apenas caso um adubo fosfatado/orgânico/verde deva ser incorporado, ou mesmo a semeadura deva ocorrer, e nada de arados ou escarificadores, muito menos subsoladores, apenas grades bem leves e sulcadores/enleiradores entre um plantio e outro.

A rotação de culturas, ainda, é necessária para evitar o estabelecimento de patógenos (causadores de doenças) que sobrevivem no solo de restos orgânicos, ou através de estruturas especiais como esporos: fazer rotação de cultura faz com que esses esporos vençam seu "prazo de validade biológico" sem encontrar um hospedeiro, e aqueles que sobrevivem da matéria orgânica vão competir com outros microrganismos e eventualmente diminuir seu numero populacional caso nenhuma cultura hospedeira seja afetada (existem daninhas hospedeiras, logo é importante eliminar daninhas ativamente ou usar a palhada para evitar seu crescimento).

A palhada e relação C/N


A palha produzida deve ficar depositada sobre o solo e não ser incorporada, caso não seja de adubo verde, porque funciona como um cobertor, evitando temperaturas extremas e perdas de água excessivas, também evita surgimento de daninhas que tem germinação estimulada por luz, e além disso é uma reserva de nutrientes para o solo, mas cuidado: palhas pouco proteicas tendem a requerer nitrogênio vindo do solo para serem decompostas, logo palhas de gramíneas (que não fixam nitrogênio; pouco proteincas) podem causar deficiência de N na próxima cultura caso estejam em excesso ou tenham sido incorporadas no solo: mais um motivo pra deixar esse tipo de palha SOBRE o solo e sempre intercalar gramíneas (relação carbono/nitrogênio, ou C/N alta) com leguminosas/adubo verde (relação C/N baixa; muito proteicas) na rotação de culturas.

Além de tudo isso, a manutenção da palha sobre o solo é preferível do que "enterrar" os restos vegetais, já que isso causa: fungos e bactérias podem se acumular, pela presenta de matéria em decomposição em abundância, e podem se tornar agente causadores de doenças. Ainda, o pH do solo pode diminuir muito quando muito cheio de matéria orgânica, o que pode prejudicar a próxima cultura. O solo fica exposto ao sol e aos intemperes como a chuva direta e radiação solar, o que aumenta os processos de deterioração dele, além de causar a morte de seus microrganismos pelo calor, sendo que alguns deles são benéficos e importantes para as plantas. Logo, incorporar matéria orgânica não-decomposta no solo só é muito recomendada apenas para adubos verdes, de rápida decomposição e, assim, liberação de N, nutriente muito importante para as plantas.

Então, qual o ponto fraco do cultivo mínimo?


Em relação às doenças, a palhada, por manter o ambiente com temperaturas mais equilibradas no solo, pode favorecer a manutenção de patógenos nele, principalmente se eles sobrevivem em tecido em decomposição, e ainda mais se for da palhada do seu hospedeiro (cultura anterior). Nesse caso (o patogeno está sobrevivendo muito tempo no solo), deve-se incorporar a palhada, e fazer o processo de tratamento físico do solo completo, alem da técnica de solarização que parece ajudar muito, e claro: não plante plantas suceptíveis ao patógeno. já que a idéia é que sua população, na área, diminúia. Na verdade o ideal é dar ao solo um período de descanso de um ciclo, evitando crescimento desenfreado de daninhas, obviamente.


Solarização feita após tratamento convencioal do solo (Aração + Gradagem)

Tração Animal

Vai ai um link sobre tração animal, pra quem se interessar. Não acredito que há algum segredo sobre tração animal: um animal puxando implementos. Sua eficiencia vai depender do implemento que deve ser puxado (e em quantos animais consegue-se puxar) e do tempo que vai demorar para a tarefa ser realizada. Para isso o(s) animal(is) deve(m) ser forte(s) o suficiente, o que vai depender do seu tratamento.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Solos - Compactação

Compactação do solo é nada mais do que o processo de adensamento de alguma camada dele de uma forma tão intensa que dificulta a penetração das raízes das plantas abaixo dessa camada, causando déficit de crescimento, diminuição da produção, e todos aqueles problemas chatos que todo mundo já sabe. A compactação ocorre quando um objeto muito pesado passa por cima do solo, pressionando-o, quando ele está no seu estado moldável, ou seja, bem úmido.

O fato é que quanto mais pesado o objeto for, mais compacto o solo vai ficar, então esse fenômeno dificilmente ocorre numa propriedade de agricultura familiar, já que não há necessidade nem possibilidade do uso de tratores ou máquinas motorizadas, e quando acontece é facilmente resolvido, porque é menos intenso. Existem, inclusive, maneiras de prevenir a compactação, como preparar quimicamente o solo e fazer a semeadura apenas em dias em que ele está seco, adar por entre as linhas apenas quando necessário e quando o solo não está muito úmido, e evitar que animais andem na área, a não ser os animais de tração, quando você for fazer a semeadura e os preparos. Outra medida de prevenção da compactação é a rotação de culturas com plantas de raízes profundas, ou resistentes às camadas compactas do solo, como o nabo-forrageiro (Raphanus sativs) e o feijão-guandu (Cajanus cajan). Existem algumas formas de verificar se o solo está compactado, e uma delas é observar as raízes e o crescimento da planta: se a planta estiver pouco desenvolvida para a sua idade, e suas raízes estiverem excessivamente grossas e pequenas, o solo, quase certamente, está compactado.


                                       Feijão-Guandu                                     Nabo-Forrageiro

Para evitar o risco de fazer a semeadura e o preparo, e solo estar compactado, acarretando em uma baixa produção, um teste antes da semeadura se mostra mais confiável e fácil de ser aplicado, o teste de comparação de densidade. A densidade, como sabemos, é uma medida que revela a massa de um certo volume de material. O teste de compactação deve levar em conta a camada 0-40 cm do solo, e pode ser feito coletando amostras do solo com pedaços de bambu ou canos de PVC de 50 cm, naturalmente. Esse tubo devem ser dividido de 10 em 10 centímetros, separados as camadas 0-10 cm, 10-20 cm, 20-30 cm, 30-40 cm, para que possamos saber onde, exatamente, o solo está compactado, se ele está. Além disso, para que que haja certeza da compactação em toda a área de cultivo, e esse processo deve se repetir como a amostragem de solo para correção de pH, já explicada no post "Solos - Corretivo de pH", em "zig zag", em forma de Z. As amostras devem ser coletadas em dias em que o solo não está úmido, ou seja, ele deve estar seco.

Para fazer os cálculos da densidade do solo, as quantidades de terra dos tubos devem ser removidas individualmente e não devem ser misturadas, e cuidado para que partes do solo não fiquem para trás. Depois é feita a secagem rápida, para remoção de água, e de destorroamento, ou seja, o solo deve ser transformado em um pó fino, ou o mais fino possível. Em seguida essa quantidade é pesada, em kg (quilogramas) e dividida pelo volume do tudo (da camada em questão), em dm³ (decímetros cúbicos), ou L (litros), e os resultados são anotados. "Devido à forma, ao tamanho e ao arranjamento diferenciado das partículas de areia e argila, os valores médios de densidade de solos arenosos (1,2 a 1,4 kg.dm-3) são maiores do que os de solos argilosos (1,0 a 1,2 kg.dm-3). Por isso, deve-se tomar muito cuidado ao considerar o valor absoluto como referência para concluir se um solo está ou não compactado. Bowen (1981) considera críticos os valores 1,55 para solos franco-argilosos a argilosos e 1,85 kg.dm-3 para solos arenosos a franco-arenosos, afirmando que, a partir daí, ocorre restrição ao desenvolvimento de raízes" (CAMARGO de, O. A.; Alleoni, L.R.F. Reconhecimento e medida da compactação do solo. 2006. Artigo em Hypertexto. Disponível em: <http://www.infobibos.com/Artigos/2006_2/C6/Index.htm>.)

Caso o solo de uma determinada camada, da maior parte das amostrar coletadas, conter os valores acima dos valores críticos expostos no parágrafo anterior, podemos dizer que o solo está compactado, e Medidas Físicas para correção dessa compactação serão necessárias para correção desse quadro, como subsolagem e aração, e até a gradagem.



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Solos - Adubação

Finalmente chegamos ao último post da complicada série de medidas químicas para preparo de solo, e o mais fácil deles, para alegria de vocês, a Adubação. Primeiro vamos recordar o que já possuímos no nosso solo: Uma grande quantidade de potássio vindo das cinzas, juntamente com fosforo e outros micronutrientes, e uma boa dose de fosforo e calcio vindo da farinha de ossos, e, claro, outros micronutrientes, além das reservas naturais do solo. O que falta, primordialmente? O nitrogênio. Sim, crianças, o nitrogênio, o macronutriente mais importante de todos, mas isso não significa que seja complicado obtê-lo.

Adubação Verde


A melhor forma de manter o solo com nitrogênio disponível segundo a necessidade das plantas é a ADUBAÇÃO VERDE, já comentada e explicada no post "Culturas". Além disso, vale colocar esse áudio da Emater-MG, pela ótima iniciativa e de fácil entendimento. Segue o link do áudio, vale a pena conferir. O nitrogênio é um elemento crítico já que pode ser perdido para a atmosfera através da atividade de microrganismos, ou lixiviado em profundidade (levado pela água), além da retirada dele através do cultivo, o que faz com que essas reservas vão diminuindo mais rapidamente do que vão sendo repostas, assim a adubação verde é utilizada para diminuir essa diferença e/ou manter os níveis de N no solo.


Matéria Orgânica



Agora, vamos além do nitrogênio, e explorar a substância mais estranha e poderosa da natureza, que fica no intermédio entre o inorgânico e a vida, a matéria orgânica. Bom, primeiro vamos definir o que é matéria orgânica: Tudo aquilo, transformado ou não, em decomposição ou totalmente decomposto, que foi originado dos processos metabólicos que ocorreram em seres vivos. A matéria orgânica mais importante pra agricultura é chamada de húmus: moléculas compostas, principalmente, de carbono, hidrogênio e oxigênio, associadas, muitas vezes, a outros átomos, como enxofre e nitrogênio, estáveis e pequenas o suficiente para terem cargas. Sua função é melhorar a qualidade dos solos e sua fertilidade, por ter as capacidades de aumentar a CTC do solo, melhorar suas características físicas como retenção de água e drenagem, e aumentar a dinâmica de sua microbiota e outros irgânismos, que favorecem os ciclos de matéria.

Tudo muito legal, dá até vontade de sair por aí cagando nos canteiros, mas a matéria orgânica exige alguns cuidados, como tudo na vida. Primeiramente, seu excesso pode causar superpopulação de organismos decompositores, que, por sua vez, pode causar superpopulação de outros organismos, e assim pode atrair doenças de plantas e pragas de raízes, por exemplo. Além disso, matéria orgânica mal-decomposta pode trazer doenças mais graves, principalmente para os seres humanos, por atrair decompositores mais diversos, por isso é importante que a matéria orgânica aplicada no solo seja estável, em outras palavras, já tenha sido bem decomposta, então não adianta ir enterrando zumbis decapitados nas entrelinhas. E, finalmente, ela pouco decomposta tende a diminuir o pH, por isso deve ser adicionada segundo a necessidade e em nível avançado de decomposição

Agora, como produzir essa matéria orgânica decomposta? Através de minhocas detritívoras e outros organismos decompositores, como piolhos-de-cobra, sem esquecer os microrganismos, num processo chamado VERMICOMPOSTAGEM, que consiste em colocar restos alimentícios, estrume, palhas, restos de plantas saudáveis, e etc, em tambores/recipientes contendo minhocas introduzidas (outros organismos chegam sozinhos) que se alimentam dessas substâncias, até que eles transformem completamente essa mistura em húmus.

A quantidade a ser aplicada no solo, de matéria orgânica, vai depender muito de como seu solo consegue incorporar essa matéria orgânica, e de quanta ele já possui, por isso, mais uma vez, um experimento maneiro pode ajudar a solucionar esse pequeno impasse. Mas, para ajudar, essa quantidade varia 0,5 a 1 kg de húmus de minhoca para 1 m² cultivado.

Vermicompostagem


Como sempre, fui atrás de informações completas a respeito do tema, e encontrei esse manual de vermicompostagem bem completo e relativamente atual, de onde tirei as informações sobre os cuidados com os vermidigestores (tambores), inclusive existem alguns prontos no mercado, que se encaixam um sobre o outro, mas não acho necessário. As duas espécies de minhocas mais utilizadas são Eisenia foetida e Eisenia andrei, as duas chamadas de "Vermelha da Califórnia", sendo que a primeira possui comportamento mais lento, menos voraz, e cores menos intensas e pouco uniformes.





Alguns cuidados



- O local de instalação deve ser fresco, coberto, longe de incidência direta de sol, para garantir a manutenção da umidade e diminuir necessidade de regas. Regas regulares são importantes para manter a umidade, mas tente evitar o acumulo de água no fundo dos tambores, e para isso pequenos furos serão bem-vindos. O teste da umidade é uma boa forma de controlar as necessidades de rega: com a mão protegida com luvas, pegue um pouco de substrato da camada abaixo de 20 cm e aperte, se escorrer bastante água a umidade é excessiva, e se não escorrer, a umidade é baixa. O ideal é escorrer algumas gotas, apenas.

- Sempre adicionar, para um determinado volume de matéria orgânica a ser decomposta, um pouco de palha, para garantir mobilidade e aeração, bons para o desenvolvimento da população de minhocas. Para melhorar a areação, revirar e descompactar o substrato periodicamente dá bons resultados.

- Mantenha os tambores em contato com a terra, para que organismos decompositores presentes na natureza tenham acesso ao substrato

- Palhas na superfície do tambor ajudam a abafar possíveis barulhos que assustem as minhocas, ou diminuir impacto das gotas de chuva, e ainda escondem as minhocas de possíveis predadores, como pássaros. Além disso, a cama, uma camada de palha no fundo do tambor, deve ser adicionada para servir de ponto de partida para a ação das minhocas.

- Não adicionar alimentos com muito sal, já que o sódio é um micronutriente muito perigoso, em excesso, e nem carnes ou derivados de leite nos tambores, pelo mau-cheiro insuportável, que acaba atraindo moscas e outros invertebrados indesejados, mas se a composteira for grande, esses restos alimentares podem ser adicionados sem problemas. O esterco pode causar um pouco de mau-cheiro, mas ele é rapidamente decomposto, diferente da carne ou do leite, e pode ser decomposto em um tambor separado. As principais fontes de matéria orgânica devem ser palha, cascas de ovos, esterco, e cascas e restos vegetais, mas evite plantas doentes, já que isso pode comprometer seu solo com essas possíveis doenças.



- O mau-cheiro muito acentuado pode indicar excesso de alimento para as minhocas, ou seja, mais do que elas podem consumir, assim é necessário  diminuir a adição dos itens citados acima, ou você pode tirar um pouco e colocar em outro tambor, e aumentar a sua produção de húmus.

- Se as minhocas estiverem tentando "fugir" isso pode indicar duas situações: falta de alimento, o que pode ser falta de alimento mesmo (adicione mais), ou superpopulação de minhocas (comece outro tambor ou faça farinha de minhoca); ou excesso de umidade (regue menos;revire o monte; adicione palha).

- Se os alimentos dados forem muito energéticos e pouco proteicos, às vezes pode ocorrer demora na decomposição, devido a indisponibilidade de nitrogênio para o crescimento celular dos organismos, e aí a solução pode ser adicionar adubo verde no composto, fazer o xixizinho diário lá, bem como coletar a urina de animais e adicionar, e ainda adicionar carne, mesmo com o cheiro ruim.

- O excesso de minhocas pode ser combatido produzindo o que chamamos de farinha de minhoca, suplemento na alimentação, principalmente, de aves e peixes, coincidentemente as fontes de alimentos proteicos mais acessíveis, pela fácil crianção. Mas como produzir vinagre e álcool, para tanto? Bom, isso é assunto para outras discussões.

- Quando eu digo tambor, não quero dizer recipiente grande de plástico ou algo do tipo, mas apenas um recipiente grande, bem grande, que possa atender a esses requisitos citados. Às vezes uma tela de metal protegida da umidade por uma lona de plástico grande, moldadas em forma de bacia, pode garantir o serviço, e é até melhor, porque o volume de vermicomposto a ser produzido seria determinado apenas por você, e a mudança da vermicomposteira seria facilitada.


Coleta e Armazenamento


Segundo o manual da Embrapa, após o enchimento do tambor, as minhocas levam cerca de 50 a 60 dias para digerir 80% do substrato, e assim nos presentear com o vermicomposto, contudo esse tempo é muito relativo, e por isso você deve usar um pouco da sua natureza sensitiva para saber quando está pronto. Eu imagino que uma minhoca iria querer fugir caso não tivesse mais alimento, ao invés de comer suas próprias fezes, por isso um sinal pode ser esse. Além disso, você pode pegar um pouco do material marrom-escuro e esfregar nas mãos, com água, e se ele aderir como uma tinta, ou terra molhada, estará pronto para ser coletado.

O armazenamento deve ocorrer segundo as recomendações desse manual feito pela Embrapa.

Um outro tambor deve ser preparado antes da coleta, para que as minhocas selecionadas do antigo tambor possam ser rapidamente colocadas nele, e não sofrerão muito com a intervenção. Para que as minhocas sejam retiradas desse substrato velho, agora pronto, você deve colocar um saco cheio de matéria orgânica nova, verde, dentro do tambor antigo, e esse saco deve contem poros de tamanho suficiente para as minhocas entrarem nele. Assim, depois de algumas horas, você pode retirar esse saco de lá, e as minhocas estarão dentro dele, como se fossem "pescadas" (irônico, não?).


sábado, 22 de dezembro de 2012

Solos - Fosfatagem

Depois do fiasco que foi a iminência do fim do mundo catastrófico, venho retomar o assunto de solos como um cão arrependido. Esqueci de dizer, mas como a gessagem exige saber, basicamente, a quantidade de alumínio no solo, vai ser meio difícil a gente fazê-la, mas a correção do pH e a fosfatagem improvisada desse post vão ser suficientes pra garantir uma boa produção sem interferência significativa dos íons de alumínio.

Primeiramente, amiguinhos, vamos revelar a nossa vencedora como fonte de fósforo mais acessível: Farinha de osso! Conveniente, não? Com um mundo infestado com humanoides semi-canibais, conseguir fósforo nunca foi tão fácil. Além disso, é uma ótima alternativa de como reaproveitar os ossos da alimentação de origem animal. Aqui vai uma palhinha de como preparar o produto de uma maneira fácil, retirada do site Jardineiro no link, muito bem escrito e explicado, inclusive tem a quantidade de fósforo nesse composto mágico.



Agora, as lindas propriedades da farinha de osso: O fosfato de cálcio ( Ca3(PO4)2 ) vai se tornando mais solúvel quanto menor o pH (ataque ácido causa solubilização) e imediatamente ocorre transformação de PO4³- em HPO²-, retirando H+ da água H2O, restando OH-, por isso ele é responsável por evitar a diminuição do pH a partir do momento em que é aplicado (poder tampão pela liberação de OH- maior quanto mais PO4³- é solubilizado pelos ácidos), por isso a aplicação da farinha de osso acontece ANTES da correção do pH do solo, e juntamente com a adubação, assim a farinha de osso consegue manter o pH na linha, e libera uma quantidade suficiente de fósforo e calcio, que fica aderido à materia orgânica da adubação, antes da correção do pH nesse tempo. A grande vantagem da farinha de osso é que ela não diminui o pH como as fontes de fosfatos industrializadas, e a liberação de fosfato e cálcio é gradual: Precisa sofrer transformações no solo para liberar seus elementos para a planta, por isso deve ser aplicado com antecedência do plantio de no mínimo 30 dias para que faça efeito. Além disso, é fonte de um pouco de K, Mg, e outros micronutrientes. A deficiência de fosforo pode ser vista em plantas quando elas se tornam "mirradas" e tem o crescimento inicial bem lento, o que atrasa todo o ciclo, além disso as folhas mais velhas desenvolvem manchas de cores variadas, principalmente avermelhadas e escuras, e tem aspecto queimado, já que ela mobiliza o fósforo disponível nessas folhas para os órgãos mais novos.



A aplicação é um pouco mais complicada, nessa altura enfrentamos um problema aparentemente sem solução imediata: quanto aplicar. The thing is that não sabemos qual a deficiência de fosfato no solo, um problema semelhante com o problema da gessagem, pela falta da análise de solo, mas a fosfatagem é extremamente importante, então consegui pensar em duas soluções: tentar fazer um experimento maneiro, reservando uma área e dividindo essa área em lotes de mesmo tamanho, e fazendo o cultivo da mesma forma em cada lote, mas com doses diferentes de farinha de osso para cada lote, e ver qual deu melhores resultados, podendo fazer isso associando quantidade de farinha de osso em relação à quantidade de adubo orgânico (FO/AO); ou seguir as recomendações dos fabricantes de farinha de osso, o que na realidade não consegui encontrar para culturas perenes e grãos, mas deve ser parecido ou semelhante à quantidade para hortaliças, provavelmente menor, inclusive. Isso é algo relativamente fácil de encontrar, basta ir até uma agropecuária e ver as recomendações na embalagem do produto. Procurei um pouco, e deve-se utilizar 1 parte de farinha de osso para 2 partes de adubo orgânico ou torta de mamona no cultivo de hortaliças, consequentemente eu utilizaria a mesma relação no cultivo dos grãos (Spoiler: utiliza-se entre 500 g a 1 kg de adubo orgânico por m² de solo, geralmente). E quanto à forma de aplicação, calma que isso será abordado no último post da série "Solos".



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Solos - Corretivo de pH

Antes de mais nada gostaria de dizer que foi o cão chupando manga conseguir juntar todas essas informações, então espero que sirva pra vocês, porque se não servir... paciência, meus caros. Inclusive, procurei por conhecimento lá no fundo do meu âmago, numa região onde eu pensei que nunca mais precisaria voltar: as aulas de Química Inorgânica e Analítica.

Bom, primeiro de tudo vamos falar do fenômeno mais desgraçado da agricultura: o pH. Como já expliquei no post passado, os solos tropicais costumam ter o pH ácido, e isso causa dificuldades nas trocas de nutriente em solo e planta, reposição dos nutrientes disponíveis nas soluções do solo, aumento da saturação de alumínio, cátion tóxico para as plantas, e outras merdas mais, assim procurei alternativas para desfazer esses efeitos ridiculamente incômodos do pH baixo, que seria aumentar o pH, sem muita tecnologia, e adivinhem crianças? CONSEGUI. O processo seguinte equivale a parte do processo de correção do pH "improvisado".

A substância que seria corretiva de pH, uma base forte, ou um sal com característica de base, é (pasmem) a cinza de madeira. Vamos pensar: qualquer organismo vivo é composto principalmente de carbono, nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, e outros micronutrientes que são cátions, ou seja, vindos de bases. Agora vamos pensar mais um pouquinho: o nitrogênio, durante os processos biológicos, é liberado na atmosfera na forma de N2, e menos na forma de NH3, e o carbono na forma de CO2 ou CO, e, por incrível que pareça, esses compostos são os que teriam maiores poderes acidificantes em um "caldo" de organismo vivo (outro elemento perdido para a atmosfera com por processos biológicos é o enxofre). Dessa forma sobra apenas o fósforo com esse poder, mas que geralmente forma compostos pouco solúveis, ou sais, que ou se comportam como neutros, ou como bases, assim as cinzas apresentam característica de base, capaz de aumentar o pH do solo! As cinzas serão obtidas, claro, a medida que ocorre utilização de lenha, principal matriz energética em pequenas propriedades. É importante que ela seja recolhida no final de cada dia, sem exceção, pois é facilmente levada com o vento, e deve ser armazenada em tambores fechados, secos, sem contato com o sol, para manter a estabilidade dos sais e das bases, e deve ser peneirada, mas bem por cima, só para tirar os possíveis carvões, que, em solução, deixariam o meio mais ácido. Clique aqui para visualizar uma publicação confiável confirmando tal assunto, que por sinal foi muito bem escrita e explicativa.

Para saber quanto aplicar, você pode fazer aquele experimento maneiro com pequenas áreas iguais divididas e com as mesmas plantas plantadas, e ir aplicando doses diferentes de cinzas e observar a resposta das plantas, ou você pode aplicar uma quantidade média, ou seguir esse meu método caseiro.

Aqui vai um método desenvolvido by me que não tenho certeza se dará bons resultados com vocês, mas que funcionou comigo.

Amostragem: O que primeiro precisa ser determinado é a acidez do solo, para depois ser determinada a quantidade de cinzas a ser adicionada, e para isso precisamos da amostra de solo. Aqui vai uma noção de amostragem de solo: A profundidade da coleta das amostrar, no nosso caso, deve estar entre 20 e 35 cm, mas uns 20 cm é mais do  que suficiente. É IMPORTANTE QUE A AMOSTRA CONTENHA SOLO DE TODA A CAMADA 0-20 cm, E QUE A AMOSTRAGEM SEJA FEITA EM DIA EM QUE O SOLO NÃO ESTÁ MUITO ÚMIDO. A amostra deve ser composta: segundo o professor que me deu aula sobre nematoides, a amostragem em propriedades familiares pode ser no formato "zig-zag", e quanto menos material orgânico não decomposto, melhor, nesse caso. Durante a coleta, deve-se evitar amostrar em locais próximos a casas, brejos, sucos de erosão, formigueiros, caminhos, com palhas excessivas, e etc. Um amostrador de solo deve ajudar no serviço, para padronizar as quantidades retiradas de cada amostragem, como um trado.
Guia de amostragem da ESALQ: http://www.solos.esalq.usp.br/coleta.htm

Lógica do Processo

Agora o bagulho começa a ficar loko. Você vai precisar de um instrumento celeste que se chama pHmetro de solos, o qual você basicamente enfia uma parte dele no solo, aperta o play, e espera a mágica acontecer. Alguns, inclusive, são movidos a pilha, o que pode parecer ruim, em um mundo sem eletricidade, mas digo a vocês que é possível recarregar pilhas recarregáveis apenas com fogo, graças à criatividade dos inventores de um "nice device" que ainda comentarei. Você deve medir o pH do solo que foi colocado no balde e que teve suas sub-amostrar bem misturadas, e se o leitor indicar um pH abaixo de 4,5 você deve tomar atitudes, mas, para garantir que tudo vai andar como você planejou, eu recomendaria almejar um pH de 5 a 6.


Em seguida, através de um recipiente com medidas volumétricas conhecidas, deve ser retirada uma quantidade de solo conhecida da amostra, e esse volume anotado (vamos chamá-lo de I). E esse valor não deve passar de 100 mL, mas 25 mL estará ótimo. Em seguida, esse solo deve ser aquecido a seco, para saída de água. É MUITO IMPORTANTE PESAR O SOLO ANTES E DEPOIS DA SECAGEM. Depois deve ter seus pedaços maiores quebrados em forma de um pó fino, com ajuda de um pilão ou cadinho, e tudo deve ser peneirado em peneira fina, para tirar pedaços de raízes ou pedriscos. O que resultar é a quantidade de solo que vai ser misturada em água, que pode ser uma quantidade razoável de 300 mL de água destilada (vide obtenção de água destilada no final do post). Após isso, espere que ocorra um pouco de decantação, e depois faça filtração com filtro comum, ou mesmo em tecidos mais grossos, como meias, que devem estar previamente lavados/limpos. Reserve essa preciosidade em recipiente limpo, sem contaminantes, em ambiente sem luminosidade e sem temperaturas elevadas, e que deve conter os 300 mL de água, ou um pouco menos, já que se perde por adsorção e absorção, no caminho.

A grande sacada: A diferença de peso antes e depois da secagem é proveniente da saída de água, que na realidade é a maior parte da água do solo, que chamaremos de V1 (em gramas ou mililitros). Claro que sempre um pouco de água permanece no solo, mas nada é perfeito, e vale lembrar que nossos recursos são extremamente limitados. Se você fez ensino médio e prestou atenção nas aulas de química, sabe que:

C1.V1=C2.V2        dH2O=1000kg/m³=1g/mL

Com isso vamos às contas: A concentração em questão é a concentração hidrogeniônica, ou seja, de H+, e se vocês fizeram a lição de casa sabem que isso se reflete no pH. Pois bem, se o pH do pHmetro indicou um pH de x, sua concentração de H+ será 10^-x, que será o C1. O valor de V1 você já calculou, e o valor de V2 é 300ml.

A nova concentração de H+ será C2, da seguinte forma:  C2=C1.V1/V2

C2= (10^-x).V1/300 e o novo pH, após a diluição em 300 mL, será -logC2

Em seguida, você deve fazer exatamente os mesmos cálculos, mas agora, o valor de C1 será dado, e será 10^-5 (C1'), que é a concentração hidrogeniônica de uma solução em pH 5 do solo em questão. O valor desse novo C2 (chamado C2') determinará o valor que o pH da solução de 300 mL deve atingir, a partir do nosso primeiro C2, adicionando cinzas, para que a proporção de solo e cinzas seja CERTAMENTE ideal para deixar o pH do solo em 5,0.

C2'=(10^-6,5).V1/300 e o novo pH' será -logC2'

Importante: como o V1 é o mesmo, é importante que o solo seja coletado 2 ou 3 dias após a chuva, numa condição "comum" de umidade.

Agora é bem fácil: após uma boa decantação dos 300mL de água + solo, ir adicionando cinzas de madeira e medindo o pH, até que ela chegue no pH' de -logC2'. Claro que você deve anotar a quantidade de cinzas (Q) que você utilizou. Eu faria isso encontrando a densidade das cinzas, e iria adicionando cinzas com um recipiente pequeno de volume conhecido, enquanto anotava quantas vezes repetia o processo, e conforme o pH fosse se aproximando de pH', adicionava com mais cautela, até encontrar quantos % do recipiente foi utilizado de cinza para alcançar esse pH na última adicionada de cinzas. Depois faria os cálculos com a densidade e encontraria a massa de cinzas, em gramas, utilizada (Q), mas cada um pode fazer do jeito que mais se adéqua às suas necessidades e capacidades . Para esse processo de medição de pH de solução, o pHmetro de solo não serve, mas existem inúmeros pHmetros para medir pH de água no mercado, inclusive para aquários de peixes, que são bem práticos e seriam perfeitos para essa situação.


Resultado

Essa quantidade Q reagiu com I mL de solo (já que dos 300 mL) para atingir o pH' que corresponde a 5,0 na solução de solo como ele é, no terreno. Essa é a proporção que queríamos atingir com tudo isso. Essa parte, com certeza, é a parte chave do post, a mais importante.

Q g ------- I mL          -------->     N = Qx10^6/I  g/m³ ---------> N = Qx10^3/I kg/m³
N g ------ 10^6 mL       --------->

N é a quantidade de cinzas necessária para elevar o pH para 5,0 em 1 metro cúbico de solo. Mas podemos fazer melhor, não podemos? Sabemos que consideramos 0,2 m (20 cm) de profundidade, então podemos resumir N em m², ou seja, em área, que será chamado N':

N kg --------- 1m x 1m²    ---------->   N' = Qx4x10^2/I kg/m² 
N' kg --------  0.2m x 1m²  --------->

N' é a quantidade de cinzas necessária para elevar o pH para 5,0 em 1 m² de solo, considerando uma profunidade de 0,2 m de solo. É só multiplicar isso pela área que será cultivada, e você terá quanto de cinzas deverá ter para corrigir o pH da sua área.


Considerações

É importante destacar que não levei em conta efeitos de variação de umidade da água no solo , o que compromete um pouco o valor de V1, então compromete um pouco o resultado final. Além disso, quanto aos pHmetros, existem vários no mercado, alguns são caros, mas existem de vários preços, e até de preços que não dá pra acreditar (vide Mercado Livre), e não esqueça de pegar toneladas de soluções de calibração (aqui cabe um Wikipedia, de leve). Acima de tudo, amem meu professor de química, assim como eu o amava.

Efeito Tampão: O solo possui seu efeito tampão, de resistência às mudanças do pH, através de alumínio e hidrogênio adsorvidos nas partículas do solo, mas como essas variáveis já estavam imbutidas naqueles 300ml de solo desestruturado, e que foram superados pela adição de cinzas, não achei necessário citar/explicar.


Obtenção de Água destilada: Você vai precisar de uma lona de plástico, um recipiente de água grande e largo, e outro menor, que caiba dentro desse. Você coloca um dentro do outro e a lona por cima, com um peso no centro da lona, e expor tudo isso ao sol direto. É importante que a lona não toque a aresta do recipiente menor. A água normal é colocada no recipiente maior, e a água destilada fica no recipiente menor. Caso seja necessário, você pode colar os recipientes com cola resistente à água, para evitar com que o recipiente menor boie, e você pode fingir que o desenho foi bem feito, para evitar com que eu deixe de desenhar por falta de talento.






domingo, 16 de dezembro de 2012

Solo - Medidas Químicas

A verdade é que o preparo do solo é tão difícil e complicado, que é realmente entendido por poucos especialistas, e que geralmente trabalham com isso, e ninguém quer revelar o segredo de seu sucesso, certo? Apesar disso, acho que esse post vai servir para um primeiro entendimento, e o preparo de vocês para as próximas bombas (posts) sobre o tema, mas não se preocupem, talvez "solo" seja o assunto mais complicado de se tratar, por isso quis comentar logo de uma vez.

Bom, primeiramente precisamos definir o que é solo e obtermos algumas informações geológicas: Solo é o resultado de uma série de processos físicos, como ventos, dilatações e contrações pelas altas temperaturas, fissuras causadas pelo gelo, dentre outros, e efeitos químicos, causado, principalmente, pela água, tudo isso ao longo de muitos anos, sobre uma pobre rocha indefesa exposta a todos esses eventos, chamados intemperes. A essa altura entendemos que a fertilidade, a textura (argilosa, arenosa, siltosa, argilosa-arenosa), e a porosidade do solo dependem, em grande parte, da rocha da qual ele se originou, e dos minerais que estavam nessa rocha, que darão origem aos minerais do solo. Quase sempre eles não são os mesmos minerais da rocha, já que transformações químicas e quebras constantes os tornam infinitas vezes menores e de composições químicas diferentes. O único mineral realmente importante que não se transforma quimicamente durante os processos de formação do solo, mas apenas diminui de tamanho, é o Quartzo, mais conhecido como "grão de areia", que está presente em rochas como os Granitos.

Tabela de classificação dos minerais do solo segundo o tamanho das partículas. Quanto mais intemperizado, mais desenvolvido o solo é, e menores são suas partículas.

Agora, vamos ao que interessa. É importante dizer que seus métodos práticos serão abordados no post final dessa série, e esse post tem a finalidade apenas explicativa, e como as medidas químicas geralmente são as mais difíceis, deixarei para explicar as medidas físicas juntamente com os aspectos práticos dessas. Aqui vai a definição dos métodos químicos:

Adubação: Como podemos entender a partir do esquema de tamanhos de partículas, os solos argilosos são os que sofreram mais intemperismo durante o tempo, o que significa que esses solos estão em locais onde os intemperismos são intensos, como chuvas muito volumosas, e o problema disso é a Lixiviação: A chuva é suficiente para saturar o solo, ou seja, todos os poros são preenchidos por água, e, além disso, as moléculas que são solúveis em água são levadas até os lençóis freáticos pelo fluxo de água.

Tá, mas e dai? Essas partículas são, em maioria, íons importantes para as plantas, como Na+, K+, Mg²+, Zn²+, Cu²+, e outros, chamados de macro e micronutrientes. Por isso, um dos principais processos de manejo dos solos tropicais é a ADUBAÇÃO. Além disso, a adubação também é importante para repor os nutrientes perdidos com as colheitas, e consequente retirada permanente deles do solo.



Calagem: Além da adubação, a regulação do pH do solo é muito importante, uma vez que ele interfere na troca de íons entre a planta e a solução nutritiva de água presente no solo. O pH também interfere em como os nutrientes são transferidos da parte sólida do solo para a solução nutritiva, importante para que as reservas de nutriente na solução nutritiva não se esgotem com a retirada constante desses, exercida pela planta. Para quem quiser saber mais sobre o equilíbrio químico entre a água adsorvida nas partículas e essas partículas sólidas, pode começar pesquisando sobre CTC.

O pH é uma forma de expressão da concentração de íons H+ usada para facilitar a visualização e entendimento dele, por exemplo: Uma solução com pH = 6,5 possui a concentração de 10^(-6,5) de íons H+, e isso equivale a mais ou menos 0,00000031623 mol de íons H+ (Difícil, não?). Via de regra, o pH do solo deve estar na faixa de 4,5 a 5,5, ou seja, mais próximo de um pH neutro (7), um pouco ácido.

O pH de solos tropicais costuma ser muito mais ácido graças a uma série de fatores chatos tipo lixiviação de bases, fermentação microbiana, etc. Ou seja, os solos tropicais costumam ter uma concentração maior de íons H+ do que em pH 4,5 a 5,5, por isso é necessário o aumento do pH desses solos, e para isso usamos substâncias formadas a partir de bases fortes, e sais como: CaCO3 (carbonato de cálcio), Ca3(PO4)2 (fosfato de cálcio), e alguns sais de potássio (K), através do processo de CALAGEM. No caso de se usar um sal vindo de uma base muito forte e um ácido muito fraco, como o carbonato de cálcio (CaOH + H2CO3), a calagem passa a ser mais efetiva por ter efeito tamponizante: Consegue suportar pequenas variações no pH, mantendo o pH atual, assim o tempo até a necessidade de uma nova calagem se estende, diminuindo o trabalho do agricultor.




Gessagem: Processo de adição de Gesso Agrícola (CaSO4) diretamente no solo ou na mistura usada para a calagem, com a finalidade principal de lixiviar íons não desejados como o Alumínio (Al³+) e o Sódio (Na+), em maiores profundidades, quando um ou ambos estão em excesso, evitando contaminação por alumínio e sódio, e enfermidades para as plantas. A verdade é que é usado principalmente para lixiviar alumínio, uma vez que o sódio dificilmente está em excesso em solos tropicais, já o alumínio é um dos compostos mais comuns desses solos. Em solos muito mais desenvolvidos, o alumínio forma os óxidos de alumínio que, juntamente com os óxidos de ferro, são extremamente abundantes e estáveis, o que faz com que a presença de íons Al³+ seja intensa em solos desenvolvidos, como os tropicais.

Além da função de lixiviar Al3+, como é composto de cálcio, a GESSAGEM também contribui para o aumento do pH, como consequência, e também é importante para o desenvolvimento mais intenso das raízes enquanto a planta ainda se instala no solo, ou seja, nos primeiros dias de vida, já que possúi nutrientes como S e Ca.



Fosfatagem: O fosforo geralmente está no solo na forma de fosfato (PO4³-), composto de baixa mobilidade no solo, e pouco solúvel, preso nos oxidos de Fe e Al (abundantes em solos tropicais). O problema é que o fosforo é um macronutriente, ou seja, é utilizado em grande quantidade pelas plantas, por isso a FOSFATAGEM é um processo muito importante nesses solos, que é nada mais do que a incorporação de compostos de fósforo ao solo, uma adubação especialmente feita para o fosforo, devido a sua grande importância. Um dos compostos utilizados é o superfosfato simples (P2O5), que, na solução aquosa, causa as seguintes reações:


P2O5 + 3H2O ---> H3PO4 + H3PO4
H3PO4 + H3PO4 ---> 2 HPO4²- + 2 H+

Ou seja, como ocorre liberação de H+, a fosfatagem diminui o pH, por isso ela deve ser feita antes da Calagem e da Gessagem. Esse efeito de diminuição de pH não é observado quando o fosfato é adicionado ao solo na forma de um sal a partir de base de força igual, ou maior, a força do ácido fosfórico (H3PO4), como no caso do Fosfato de Cálcio (Ca3PO4), que vêm a partir do ácido fosfórico e do hidróxido de cálcio (CaOH).



Bom, tudo é muito lindo e bonito, na teoria, mas existe um grande porém, meus caros. A medida da necessidade de calagem vai depender de quanto o pH precisa aumentar, e de como o solo consegue incorporar os compostos da mistura para calagem, por isso é baseada em uma análise química do solo. A medida de quanto gesso deve ser incorporado na mistura de calagem, ou aplicado diretamente, vai depender do teor de alumínio (Al³+) no solo, e de como o solo consegue incorporar o gesso agrícola, e essa medida também é obtida través de análise química do solo. A medida de quanto fósforo deve ser adicionado ao solo vai depender da deficiência dele no solo, e, adivinhem? Isso também é determinado através de uma análise de solo complicada, laboratorial, e técnica. Por tanto, crianças, vamos começar a pensar em alternativas para solucionar esse impasse técnico-científico: COMO FAZER TUDO ISSO SEM UMA ANÁLISE QUÍMICA DO SOLO? 

Para a felicidade geral, os agricultores orgânicos e os antigos agricultores já fizeram esse exercício, e conseguiram alternativas talvez não melhores, nem iguais, mas que permitiram a sobrevivência da humanidade até aqui e uma boa produção, em quantidade e em qualidade. Quer alguma coisa melhor que isso?



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Culturas

Estive pensando nas coisas que eu mais gostaria de continuar consumindo mesmo após o mundo e a raça humana serem quase completamente dizimados por uma proteína errante, ou por um vírus inventado por uma corporação malígna, com fins de gerarem super-humanos, e conclui que os alimentos de origem vegetal que seriam mais essenciais na alimentação seriam derivados das seguintes plantas: milho, arroz, feijão, cana-de-açucar e trigo.

Assim, esse post tratará sobre alguns aspectos importantes para o cultivo desses alimentos que considero essenciais, levando em consideração apenas alguns assuntos que não serão tratados em outros posts, como espaçamento entre plantas, obtenção das plantas, melhores épocas de plantio, tempo do cultivo, clima, necessidade de água , levado em conta que  se tivesse que ir para algum lugar isolado do resto do mundo, com certeza optaria pelo hemisfério sul, e, de preferência, na região tropical, já que . A fonte consultada foi o site Criar&Plantar para as culturas de Milho, Feijão, Arroz e Trigo, além dos portais da EMBRAPA especializados em cada cultura. As hortaliças serão tratadas mais à frente na timeline do blog.



OBS: A cana de ano possui ciclo de 12 meses, e a cana de ano e meio possui ciclo de 14 a 22 meses; após o primeiro corte surge a cana-soca, de ciclo de 12 meses, que podem se repetir até 4 vezes. A cana para fins de produção de muda possui ciclo de 12 meses. Ver, na sessão "Cana-de-açúcar, a planta sem semente" outras considerações.


Algumas observações e informações importantes:


Culturas Anuais: É importante lembrar que essas culturas são anuais, ou seja, com o florescimento e o desenvolvimento dos frutos, as plantas morrem, e os restos podem ser reaproveitados, o que será tratado mais a frente, e uma nova semeadura deve acontecer, além disso, como o cultivo seria primitivo e limitado, a palavra "ideal" nesse caso, reflete sobrevivência e subsistência, e não viabilidade econômica.

Épocas de Plantio: Em plantios fora de época, a densidade de semeadura deve aumentar de 10 a 20%, mas cuidado com esses plantios, principalmente para trigo e arroz, porque o arroz precisa de umidade constante, por isso seu crescimento deve ocorrer nas épocas chuvosas, pegando os meses de dezembro à fevereiro, principalmente, e o trigo deve ter desenvolvimento dos grãos com o mínimo de chuvas, ou seja, sofrer o estresse hídrico, para que eles possam ser de qualidade e bem viáveis, e menos suscetíveis a doenças, assim a maturação deve ocorrer nos meses de junho/julho, os últimos dias do ciclo. Em qualquer caso, os ciclos vão de desde o plantio até a colheita.

Cana-de-açúcar, a planta sem semente: A cana não produz sementes viáveis, assim existe uma necessidade de produção de mudas a partir de pedaços do caule, ou colmo. Esses pedaços, chamados de toletes, devem ser provenientes de plantas que nunca sofreram cortes, chamadas de "cana-planta", e com 10 a 12 meses. A cultura destinada à produção de mudas deve ser em local diferente da cultura para fins de consumo, e deve ser suficiente para gerar toletes para a produção de cana para fins de consumo, e para uma nova produção de mudas, já que cana para produção de muda deve ser proveniente de cana-planta. É importante que o tolete esteja com as pontas cicatrizadas antes de ser colocado no sulco, além disso é recomendado que ele permaneça em local seco e ventilado até o surgimento do broto, para que possa ser visto em que sentido ele cresce, o que deve ser respeitado na hora da colocação do tolete no sulco, e para acelerar o processo, a aplicação de soluções naturais contendo fitormônios e fungicidas/inseticidas pode ajudar, o que será discutido em outros posts.

Na área reservada para fins de consumo, o corte do colmo na hora da colheita deve ser rente ao solo, acima da primeira gema, ou do primeiro nó, deixando sobrando apenas o toco, chamado "soca", que deve ser deixado na área; depois, ocorre o desenvolvimento dessa gema em um novo broto, chamado "soqueira", que crescerá e se tornará uma nova planta, a "cana-soca". Isso deve ocorrer apenas 4 vezes, um tempo muito longo, já que corresponde a 5 ciclos (quatro cana-soca e uma cana-planta) e depois do ultimo corte a soca deve ser removida e a área deve ficar em descanso durante, pelo menos, metade do tempo em que a cana esteve plantada, para que o solo se recupere, com plantas de adubo verde, ou outras plantas de alto valor biológico, que ajudem a recuperar o solo.

A área reservada para a produção de mudas/toletes deve ter as socas removidas cada vez que houver o corte, para que os toletes possam ser plantados nesse local, para gerar novas cana-planta. Essas áreas de produção de muda devem se manter SEMPRE, mesmo em épocas de descanso, ou quando as soqueiras ainda podem se desenvolver, para que a cana se perpetue em sua propriedade. Nas épocas já ditas, em que não há necessidade de toletes para cultivo de consumo, os excedentes podem ser destinados para consumo. A Rotação de Culturas pode e deve acontecer nessas áreas, para evitar desgaste da área.

Rotação de Culturas: Rotação de culturas nada mais é do que a divisão de uma área em glebas menores, geralmente de tamanhos e dimensões semelhantes, onde uma cultura sucede a outra na ocupação da gleba, e no termino de um ciclo a cultura está novamente na gleba inicial. É importante pois evita com que organismos causadores de doenças se instalem definitivamente na área, dentre outras vantagens. Geralmente existem áreas de descanso, ou seja, uma gleba sempre fica sem nenhuma cultura em sua superfície, contudo no nosso caso isso não se faz necessário, uma vez que a intercalação de gramíneas/leguminosas faz com que a cada uma ou duas rodadas o solo tenha incorporação de matéria orgânica e recuperado parte de sua reserva de nitrogênio e microorganismos. Uma possível utilidade dessas outras leguminosas é a produção de forragem, alimento para animais com dieta fibrosa, como os bovinos, mas calma que a gente chega lá! Na imagem, as regras de rotação de culturas - substituir "cultura comercial" por "cultura alimentícia", porque zumbis não compram milho, eu acho.

Os ciclos de rotação não precisam permanecer os mesmos, já que isso também faria com que patógenos, ou seja, organismos que causam doenças nas culturas, se adaptassem a isso, assim os adubos verdes convencionais podem ser trocados por outras plantas, e que também possuem alto valor biológico e/ou alimentício, como o Nabo Forrageiro (Raphanus sativus) e a Ervilha (Pisum sativum).

O arroz é uma planta que deve ser cultivada em áreas de várzea, terreno plano próximo ao rio, com solos mais úmidos, diminuindo a necessidade da nossa intervenção, diminuindo o trabalho. Caso seja plantado em regiões mais altas, necessitará de maiores cuidados, e, como já sabemos, nossos recursos são limitados. Assim, a rotação deve acontecer com uma leguminosa resistente a excesso de água, como o Feijão-de-Porco (vide abaixo).

Adubação verde: Antes da frutificação, as leguminosas usadas para adubação verde são simplesmente reviradas no solo, repondo parte das reservas de nitrogênio do solo e aumentando a dinâmica de sua microbiota.  Dentre as leguminosas usadas como adubo verde podemos citar as Crotalárias, que combatem os nematoides das galhas (Meloidogyne spp.), das lesões (Pratylenchus spp) e dos cistos (Heterodera spp.), organismos que atacam as raízes das plantas e de difícil erradicação; O Feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), que além de ser adubo verde, também ajuda a combater uma das principais plantas daninhas, a Tiririca (Cyperus rotundus). É de extrema importância que, no caso de serem usadas como adubo verde, essas plantas não desenvolvam frutos, por isso são cortadas quando as flores mais novas, do topo da floração, estão abertas, porque caso contrário há risco de que elas acabem se tornando daninhas. O cultivo dessas plantas é semelhante ao cultivo do feijão, contudo requer menos cuidados, uma vez que não serão usadas para fins de alimentação, a não ser se forem forrageiras, e além disso costumam ser plantas mais rústicas.

Para quem se interessou mais sobre como as leguminosas, e somente elas, podem ser responsáveis pela adubação verde e fixação de nitrogênio no solo, pode pesquisar sobre as enzimas nitrogenase, leg-hemoglobina e sobre as bactérias nitrificantes.


Densidade de Semeadura: Valor do peso de sementes, ou do volume, ou da quantidade, que deve ser plantada por metro quadrado de área. No caso do arroz, onde a densidade está em número de sementes, esse valor deve ser multiplicado pelo tamanho da área, em m², e depois dividido pelo número de linhas, assim será obtido o número de sementes por linha, que devem ser distribuídas de maneira homogênea, então esse valor pode ser dividido pelo tamanho da linha, para obter a quantidade de sementes por metro.
Exemplo: em uma área de 100x50 metros, com espaçamento de 20 cm entre linhas, cada linha terá 45m, e existirão 5 linhas. A quantidade de sementes será: 100x50x300, ou seja, 1500000 sementes. isso, dividido por 5, será 300000 sementes por linha, e, assim 300000/45 sementes por metro de linha, ou seja, 6666 sementes por metro (bem subjetivo), e como 1000 sementes possui mais ou menos 30g, cerca de 200g de sementes são utilizadas por metro de linha.Em plantios fora de época, a densidade de semeadura deve aumentar de 10 a 20%, como já dito

Peso de mil sementes de: Feijão = 250g; Arroz = 30g; Trigo = 30g; Milho = 230g (Peneira 18;sementes pequenas) e 400g (Peneira 24; sementes grandes).